quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Re: Seminário (do dia 12/11 até o dia 21/11) por ANDRÉ PEREIRA SIERRA - Quinta Feira, 20 Novembro 2014, 16:48

Seminário (do dia 12/11 até o dia 21/11)
por Kassia karoline Rossi Marçal - Quarta Feira, 12 Novembro 2014, 10:26
 
Como é do conhecimento de vocês, a disciplina de Estágio Supervisionado – Teoria e Prática contempla um Seminário, que é uma atividade dissertativa e avaliativa. Diferente dos Seminários presenciais, vocês participarão publicando aqui na Sala do Café suas vivências neste estágio, as quais tiveram quando realizaram a entrevista e a análise do Projeto Político Pedagógico (PPP).
O período para as postagens inicia hoje (12/11) e vai até o dia 21/11 às 23h55, horário de Brasília.
Conforme calendário, no dia 05/12 será liberada a aula do Seminário, na qual participarão professores da Unicesumar, com o intuito de discutir sobre as vivências que vocês postaram aqui na Sala do Café. Nesta aula, vocês ainda poderão participar do chat de forma a fomentarem a discussão.
É importante esclarecer que as postagens serão avaliadas em até 1,0, e aquelas que não forem escolhidas para a aula, não terão notas diferentes das que forem escolhidas.
Sabedoria, discernimento,atitude...
Re: Seminário (do dia 12/11 até o dia 21/11)
por ANDRÉ PEREIRA SIERRA - Quinta Feira, 20 Novembro 2014, 16:48
 
Com o Estágio Supervisionado tive a experiência de tocar em outra área da escola, eu trabalho como radialista em uma emissora católica, e comecei em outubro desse ano a servir como professor substituto pelo PSS na Escola Estadual Agostinho Stefanello, fiz a entrevista nessa mesma escola que trabalho, o conhecimento sobre Projeto Político Pedagógico é muito importante para todos , a disciplina de Estágio Supervisionado abriu uma porta certa para conhecer melhor o PPP, a pedagoga da direção me falou sobre o trabalho realizado na Escola, a proposta pedagógica, o plano de ação da escola, o plano de trabalho docente, os avanços de cada ano, as novas metas para a escola.
A entrevista me deu a possibilidade de entender melhor o andamento no interior de uma instituição escolar, observei a verdade que vai alem da teoria, no PPP existe a ideia, o objetivo, a lei, dando um rumo legal para educação. Os professores sempre estão discutindo as noticias e políticas atualizadas em sites, canais, meios de comunicação na área da educação, buscando constantemente cursos, pós-graduação, mestrado a fim de ganhar mais qualidade e bagagem em seu campo de conhecimento e formação. A escola no geral tem buscado seguir corretamente o PPP mesmo em meio às dificuldades de verbas, faltam os investimentos do governo que são lentos para alcançar os objetivos esperados.
Encontrei um pouco de dificuldade em todas as atividades que envolvem a comunidade escolar e sua elaboração, eu percebi a dinâmica que acontece no cotidiano com diferenças dos costumes, das culturas, classes sociais e religiões, é sempre necessário colocar em pratica o que esta no papel com respeito e sem preconceito. A educação de qualidade segundo a pedagoga entrevistada depende dos professores, pais, alunos e toda equipe diretiva com os funcionários, é um projeto desenvolvido diretamente e indiretamente por todos da comunidade escolar. O estágio e seminário sobre o PPP me levou a pensar na formação do aluno na escola, suas capacidades e limitações, depende muito do professor a organização, o planejamento para o sucesso de toda escola, de forma parcial, assimilando e colocando em pratica ,com auxílio da Equipe pedagógica e as vezes contando com a psicopedagoga, a convivência dos professores com os alunos nem sempre é fácil, por isso existem aulas de reforço em algumas disciplinas e acompanhamentos especiais, cada aluno tem seu tempo para desenvolver e aprender , o professor deve estar dominando o conteúdo, dominando a sala, conhecendo as teorias e tecnologias necessárias, usando a criatividade e gerenciando os imprevistos da sala de aula, a cada momento enfrentando desafios e superando barreiras.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Re: Variação Linguística por ANDRÉ PEREIRA SIERRA - Sexta Feira, 31 Outubro 2014, 22:18

Re: Variação Linguística
por ANDRÉ PEREIRA SIERRA - Sexta Feira, 31 Outubro 2014, 22:18
 
Observamos na segunda unidade de nosso livro, a língua na sociedade e cultura de cada comunidade existem falantes dentro da linguística . Nossas línguas nesse mundo são utilizadas com muitas informações em diversos níveis exatos de expressões, comprovado que não existe comunidade que seja inteiramente e totalmente homogênea.Todos falantes, cada um em sua particularidade ,em um só tempo o usuário da fala muda sua língua , imprime uma marca gerada em cada momento , as reações são individuais de acordo com a situação que o falante se encontra.
A língua como objeto vivo sabemos que é também heterogênea a língua existe com uma ligação direta do falante.Cada estado e país possuem suas gírias, sotaques e costumes, as mudanças da língua e variedades linguísticas, nossa sociedade de séculos atrás não usava as falas que temos hoje , os diferentes aspectos da língua escrita e falada continuam evoluindo. Nosso objeto da sociolinguística é a fala da língua sinalizada, observando a descrição analise contextualizando a sociedade, em uma situação real que o falante utiliza. O ponto que o falante parte é a sua comunidade linguística, único conjunto de comunicadores que conversam verbalmente dialogando e compartilhando regras e normas linguísticas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

http://www.tooesperancacovatti.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2059/arquivos/File/PTD%202014/Diurno/Portugues/Matutino/PortuguesMatutino.pdf

http://www.tooesperancacovatti.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2059/arquivos/File/PTD%202014/Diurno/Portugues/Matutino/PortuguesMatutino.pdf

Crônica de Luis Fernando Verissimo, ilustrada por Santiago-Pechada

> Ensino Fundamental 1

> Língua Portuguesa

> Língua escrita

> Leitura

Pechada

Luis Fernando Veríssimo (novaescola@fvc.org.br)
Ilustração: Santiago
Ilustração: Santiago
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.

— Aí, Gaúcho!

— Fala, Gaúcho!

Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?

— Mas o Gaúcho fala "tu"! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.

— E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português.

O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.

Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.

— O pai atravessou a sinaleira e pechou.

— O que?

— O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.

A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.

— O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge.

— Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.

— E o que é isso?

— Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.

— Nós vinha...

— Nós vínhamos.

— Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto.

A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.

"Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas "pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada.

— Aí, Pechada!

— Fala, Pechada!
Crônica de Luis Fernando Verissimo, ilustrada por Santiago

Qualidades do professor Texto de Cecília Meireles, extraído do livro Crônicas de Educação 3.

> Ensino Fundamental 1

> Língua Portuguesa

> Língua escrita

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Qualidades do Professor

Cecília Meireles (novaescola@fvc.org.br)
Ilustração: Laurabeatriz
Se há uma criatura que tenha necessidade de formar e manter constantemente firme uma personalidade segura e complexa, essa é o professor.

Destinado a pôr-se em contato com a infância e a adolescência, nas suas mais várias e incoerentes modalidades, tendo de compreender as inquietações da criança e do jovem, para bem os orientar e satisfazer sua vida, deve ser também um contínuo aperfeiçoamento, uma concentração permanente de energias que sirvam de base e assegurem a sua possibilidade, variando sobre si mesmo, chegar a apreender cada fenômeno circunstante, conciliando todos os desacordos aparentes, todas as variações humanas nessa visão total indispensável aos educadores.

É, certamente, uma grande obra chegar a consolidar-se numa personalidade assim. Ser ao mesmo tempo um resultado — como todos somos — da época, do meio, da família, com características próprias, enérgicas, pessoais, e poder ser o que é cada aluno, descer à sua alma, feita de mil complexidades, também, para se poder pôr em contato com ela, e estimular-lhe o poder vital e a capacidade de evolução.

E ter o coração para se emocionar diante de cada temperamento.

E ter imaginação para sugerir.

E ter conhecimentos para enriquecer os caminhos transitados.

E saber ir e vir em redor desse mistério que existe em cada criatura, fornecendo-lhe cores luminosas para se definir, vibratilidades ardentes para se manifestar, força profunda para se erguer até o máximo, sem vacilações nem perigos. Saber ser poeta para inspirar. Quando a mocidade procura um rumo para a sua vida, leva consigo, no mais íntimo do peito, um exemplo guardado, que lhe serve de ideal.

Quantas vezes, entre esse ideal e o professor, se abrem enormes precipícios, de onde se originam os mais tristes desenganos e as dúvidas mais dolorosas!

Como seria admirável se o professor pudesse ser tão perfeito que constituísse, ele mesmo, o exemplo amado de seus alunos!

E, depois de ter vivido diante dos seus olhos, dirigindo uma classe, pudesse morar para sempre na sua vida, orientando-a e fortalecendo-a com a inesgotável fecundidade da sua recordação.

Texto de Cecília Meireles, extraído do livro Crônicas de Educação 3
Ilustrado por Laurabeatriz

Aconteceu na caatinga-conto


Aconteceu na caatinga

Clotilde Tavares (novaescola@fvc.org.br)
Ilustração: Flavio Morais
Ilustração: Flavio Morais
Era meio-dia e a caatinga brilhava à luz incandescente do Sol. O pequeno Calango deslizou rápido sobre o solo seco, cheio de gravetos e pedras, parando na frente do majestoso Mandacaru, que apontava para o céu seus espinhos, os grandes braços abertos em cruz.

- Mandacaru! Mandacaru! Eu ouvi os homens conversando lá adiante e eles estavam dizendo que, como a caatinga está muito seca e cor de cinza, vão trazer do estrangeiro umas árvores que ficam sempre verdes quando crescem e estão sempre cheias de folhas.

- Mas que novidade é essa? - falou a Jurema.

- Coisa de gente besta - disse o Cardeiro, fazendo um muxoxo irritado e atirando espinhos para todo lado.

- Eu é que não acredito nessas novidades - sussurrou o pequeno e tímido Preá.

A velha Cobra, cheia de escamas de vidro e da idade do mundo, só fez balançar a cabeça de um lado para o outro e, como se achasse que não valia a pena falar, ficou em silêncio.

E no outro dia, bem cedinho, os homens já haviam plantado centenas de arvorezinhas muito agitadas, serelepes e faceiras, que falavam todas ao mesmo tempo na língua lá delas, reclamando de tudo: do Sol, da poeira, dos bichos e das plantas nativas, que elas achavam pobres, feias e espinhentas. Enquanto falavam, farfalhavam e balançavam os pequenos galhos, que iam crescendo, ganhando folhas e ficando cada vez mais fortes.

Enquanto isso, as plantas da caatinga, acostumadas a viver com pouca água, começaram a notar que essa água estava cada vez mais difícil de encontrar. As raízes do Mandacaru, da Jurema e do Cardeiro cavavam, cavavam e só encontravam a terra seca e esturricada.

O Calango então se reuniu com os outros bichos e plantas para encontrar uma solução. E foi a velha Cobra quem matou a charada:

- Quem está causando a seca são essas plantinhas importadas e metidas a besta! Eu me arrastei por debaixo da terra e vi o que elas fazem: bebem toda a nossa água e não deixam nada para a gente.

- Oxente! - gritou o Calango. - Então vou contar isso aos homens e pedir uma solução.

Mas logo o Calango voltou, triste e decepcionado.

- Os homens não me deram atenção - disse. - Falaram que eu não tenho instrução, não fiz universidade e que eu estou atrapalhando o progresso da caatinga.

E todos os bichos e plantas ficaram tristes, mas estavam com tanta sede que nem sequer puderam chorar: não havia água para fabricar as lágrimas. Por muitos dias ficaram assim e quando estavam à beira da morte houve um movimento: era o Preá, que levantou o narizinho, farejou o ar e, esquecendo a timidez, gritou:

- Estou sentindo cheiro de água!

- É mesmo! - gritaram todos.

- O que será que aconteceu? - perguntou a Jurema.

- Eu vou ver o que foi - e o Calango saiu veloz, espalhando poeira para todos os lados.

O Mandacaru estirou os braços, espreguiçou-se e sorriu:

- Estou recebendo água de novo! Hum... É muito bom! Mas vejam! O Calango está de volta com novidades!

E espichando meio palmo de língua de fora, morto de cansado pela carreira, o Calango contou tudo.

- As pequenas bandidas verdes, depois de beber quase toda a água da caatinga, estavam ameaçando a água dos rios e dos açudes perto das cidades. Os homens então viram o perigo e deram fim a todas elas. Estamos salvos!

E todos ficaram alegres, sentindo a água subir pelas raízes. Olharam para o céu azul da caatinga, aquele céu claro, o Sol brilhante, olharam uns para os outros e viram que eram irmãos, na mesma natureza, no mesmo tempo, na mesma Terra.

E a velha Cobra, desenroscando-se toda lentamente, piscou o olho e concluiu:

- É como dizia minha avó: cada macaco no seu galho!
Conto de Clotilde Tavares, ilustrado por Flavio Morais

Dona Cotinha, Tom e Gato Joca- Conto

Dona Cotinha, Tom e Gato Joca

Dona Cotinha, Tom e gato Joca. Ilustração: Ionit Zilberman
Em frente à minha casa tem outra casa, pequena, de madeira, azul com janelas brancas. Está no fim de um terreno enorme com muitas árvores. Para mim aquilo é o que chamam de floresta. Tom diz que é um quintal. Ali mora dona Cotinha, uma velhinha que tem cabelos lilás e dirige um Fusquinha vermelho. Esse passou a ser meu esconderijo. Dona Cotinha sempre aparece com um prato de comida. Diz:

- Vem, gatinho. Olha só o que eu trouxe para você.

Sou premiado com sardinha fresca, atum, macarrão. Tenho engordado além da conta. Dia desses estava tomando sol e ouvi o Tom me chamar. O danado sentiu meu cheiro e descobriu meu segredo. Ele estava no portão quando chegou dona Cotinha, no seu Fusquinha.

- Bom dia, menino - disse ela. Já que está em frente à minha casa, faça uma gentileza e abra o portão.

Tom obedeceu. Dona Cotinha afagou minha cabeça e perguntou:

- Este gatinho é seu?

- Sim, senhora.

- Ele é muito educado.

- Obrigado - disse eu, na minha voz de gato.

- No primeiro dia que o vi por aqui, ele entrou na casa e cheirou tudo. Agora, sempre deixo uma comidinha para ele!

- Ah! Mas o Joca não come comida de gente, não, senhora. Só come ração - disse o Tom.

- Come, sim, meu filho. E come de tudo.

Dona Cotinha acabava de denunciar minha gula e o aumento de peso. Continuou:

- Passe aqui no fim da tarde. Faço um bolo de fubá com cobertura de chocolate que é de dar água na boca.

Com água na boca fiquei eu. Naquela tarde voltamos à casa de dona Cotinha. Ela foi logo mostrando pro Tom uma coleção de carrinhos antigos. Era do filho dela, que morreu bem pequeno. Depois nos levou para uma sala repleta de livros. Tom ficou de boca aberta e perguntou:

- A senhora já leu todos esses livros?

- Praticamente todos. Ler foi minha diversão, meu bom vício. Infelizmente meus olhos não ajudam mais. Essa pilha que você está vendo aqui ainda nem foi tocada.

Tom começou a ler em voz alta, e sua voz encheu a sala de seres fantásticos. O tempo parou.

Desse dia em diante, à tardinha, eu e Tom tínhamos uma missão. Abrir os livros de dona Cotinha e deixar os personagens passearem pela casa mágica, no meio da floresta da cidade de pedra.

 Cléo Busatto, autora deste conto, é escritora e contadora de histórias.