sábado, 11 de outubro de 2014

O Reino Birimbinha (texto dramático)

O Reino Birimbinha (texto dramático)

(Como todos os dias as manas Florinda e Florbela discutiam de manhã á noite. Florbela aparentava um ar cansado e triste, discussão após discussão)
Florinda- (irritada) É sempre a mesma coisa não é Florbela?! Tiras-me os meus colares e nem sequer te dignas a pedir…
Florbela- (tristonha) Mas eu… só queria usar hoje… para ficar mais bonita!!
Florinda- Dizes sempre isso! Todos os dias o mesmo! Não tenho culpa de que tu sejas feia e eu bonita, os pais fizeram-nos assim!!
Florbela- Está bem! Desculpa…
Florinda- Desculpa, desculpa… nem vale a pena… és sempre a mesma!
(Florinda sai e continua a resmungar. Florbela vai para o seu refúgio- o jardim, ao pé de um poço)
Florbela- Só aqui me sinto bem… este jardim é tão bonito!!
Será que algum dia vou conseguir ser bonita como e minha irmã? Gostava muito! Porque é que nós somos gémeas e uma é mais bonita do que a outra? Não entendo… (Florbela vislumbrava-se na água do poço)
“Poço”- Que horror! Esta água e gelada! Como é que eu sempre vivi aqui! Ajudem-me…
Florbela- (espantada) Quem é que está aí? Os poços não falam! Quanto muito fazem o eco das pessoas!...
“Poço”- Cala-te e ajuda-me! Já falo contigo! Estende a tua mão…
Florbela- (estendendo a mão) Mas?! Como é isto possível??
(De repente, de dentro do poço de pedra que Florbela tanto gostava saiu uma senhorita baixinha e gordinha, de fato verde alface e chapéu bicudo, com uma estrela roxa na ponta)
Florbela- (completamente boquiaberta) Quem és tu? De onde é que tu vieste? És muito estranha!
Fada madrinha- Olá! Eu sou a fada madrinha, aquela baixinha e gordinha, a D.Miliquinha!
Florbela- (a rir) Que giro! Tudo a acabar em –inha! Mas como é que vieste aqui parar?
Fada madrinha- Eu sempre estive aqui! Estava a cumprir um castigo. Foi o senhor Filipinho, aquele baixinho e gordinho! Lançou-me um feitiço e eu fui parar ao fundo do poço, por dentro da parede, numa casinha pequenina e estreitinha…
Florbela- E como é que saíste de lá?
Fada madrinha- Foste tu que me salvaste!
Florbela- Eu?!
Fada madrinha- Sim tu! Foi assim, tu estavas a olhar para o teu reflexo na água , certo?
Florbela- Sim! E depois?
Fada madrinha- Depois, sem querer tocaste numa das pedras da borda do poço e abriste uma portinha que me fez sair da minha casinha! Percebeste?
Florbela- Ah!!! Está bem! E agora, o que é que vais fazer?
Fada madrinha- Agora, como foste tu que me salvaste vou ser a tua progenitora!
Florbela- (admirada) O que é isso?
Fada madrinha- Progenitora, é uma espécie de anjo-da-guarda!
Florbela- E tu vais ser o meu anjo-da-guarda?
Fada madrinha- Vou! E para começar vou-te conceder um desejo… Sabes qual é?
Florbela- Não sei… Tenho que pensar… é preciso ser já?
Fada madrinha- Não! Podes pensar… Demora o tempo que quiseres.
Florbela- Está bem… onde é que te posso encontrar quando tiver decidido?
Fada madrinha- Aqui mesmo… Eu não vou sair daqui… mas como eu sei que este é o teu local favorito eu vou fazer uma visitinha á minha casinha e fazer-lhe uma limpezazinha, para poder dormir lá esta noitinha!
Florbela- Está bem… Eu depois procuro-te!
(Passaram-se dois dias e muita coisa aconteceu)
Florbela- F(a chorar) Como é que os pais puderam morrer assim de repente? Não percebo… Estavam tão bem…
Florinda- Os pais morreram porque estava na hora deles, é assim com toda a gente…
Florbela- Mas eles eram tão novos, só tinham 55 anos… Foi uma morte muito estranha…
Florinda- (indo embora e falando baixinho) Um dia vais perceber…
Florbela- Tenho que ir ter com a D. Miliquinha, já sei qual é o meu desejo…
(Florbela correu para o jardim e lá estava ela)
Fada madrinha- Já sei o que aconteceu… sinto muito…
Florbela- Já sei qual é o meu desejo…
Fada madrinha- Já?? E então??
Florbela- Quero os meus pais de volta!
Fada madrinha- Quase que adivinhava que ias pedir isso…mas, desculpa, isso não fazer… A única coisa que posso é…
Florbela- è o quê?
Fada madrinha- Não te posso contar… pelo menos não posso ser eu. Mas há uma pessoas que sabe…
Florbela- Mas que sabe o quê? Não estou a perceber nada…
Fada madrinha- Uma pessoa muito próxima de ti sabe qual é a razão da morte dos teus pais, vais ter de descobrir quem é e o porquê.
Florbela- Mas essa pessoa conhece-te?
Fada madrinha- Conhece. Mas tu nunca nos viste juntas. Agora tenho que ir. Vou ter com a D. Amigalinha.
Florbela- Amigalinha?! Que nome!! Eu vou tentar encontrar a pessoa e depois procuro-te…
(Florbela pensou, repensou e voltou a pensar, até que…)
Florbela- Acho que já sei! Deve ser a minha irmã, todos os factos apontam para isso, se não vejamos: ela não ficou muito triste com a morte dos pais, logo deve saber qual a razão por que morreram… Tenho que ir falar com ela!
(Florbela foi até ao quarto da irmã)
Florbela- Mana! Tu sabes porque é que os pais morreram, não sabes?
Florinda- (embaraçada) Eu?! Mas que disparate… Os pais morreram porque chegou a hora deles!
Florbela- Escudas de te estar a desculpar. Eu já sei tudo, a D.Miliquinha Contou-me. Ó não me contou a razão pela qual os pais morreram. Eu sei que tu sabes, por favor conta-me tudo!
Florinda- Está bem, eu conto. Também, algum dia teria de te contar…
Ouve com atenção tudo até ao fim:
Os pais estavam ligados a um grupo de bruxas, desde muito pequenos. Eles deveriam ser bruxinhos baixinhos e gordinhos, mas preferiram encarnar e deixar alguns descendentes da sua família, Assim nascemos nós. Apesar de os pais terem escolhido encarnar, sabiam que quando tivessem 55 anos teriam de voltar para o mundo das bruxas, pois já teriam cumprido a sua promessa. Agora, nós temos o direito de escolher se queremos continuar humanas e quando tivermos 55anos morremos para voltar ao mundo baixinho e gordinho, ou podemos ir ter com a nossa fada madrinha, a D.Miliquinha, que tu salvaste, e pedir-lhe para ela nos transformar em bruxinhas baixinhas e gordinhas, mas atenção se nós lhe pedir-mos isto, o nosso desejo vai ter de ser este e não temos direito a outro. Temos que pensar e escolher!
Florbela- Porque é que não me contaste isto antes?
Florinda- Porque não podia, só quando tu me perguntasses, senão era logo enviada para o Reino Birimbinha, que é o Reino das bruxas baixinhas e gordinhas!
Florbela- Eu quero muito ir ter com os pais. Nós podemos ficar com eles nesse reino?
Florinda- Claro que sim… è isso que queres?
Florbela- É! Tenho a certeza.
Florinda- Muito bem! Vamos ter com a D.Miliquinha…
(Florinda e Florbela foram até ao jardim, até ao poço e lá estava ela.)
D. Miliquinha- Demoraram muito, estava a ver que não vinham! Já decidiram?
Florinda- Já! Queremos ir para perto dos nossos pais.
Florbela- Isso mesmo!!
D.Miliquinha- Muito bem! Vamos a isto… Varinha em acção e palavras mágicas…
“Pelo reino Birimbinha eu vos concedo o título de bruxinhas v«baixinhas e gordinhas”
Badabim, badabumm, bum…
Já está!
Florinda- Estamos muito bonitas…
Florbela- Pois estamos! Agora somos mesmo iguais, já não há discussões…
D. Miliquinha- Ah! Já me esquecia, os vossos nomes agora são Florindinha e Flirindinha. Agora vão… os vossos pais estão é vossas espera…
(Florindinha e Flirindinha foram então, ter com os pais)
Mãe- Filhotas!! Ainda bem que quiseram vir!!!
Florindinha- Estamos muito contentes, mamã!
Flirindinha- Pois estamos! Muito contentes…
Pai – (segurando uma máquina fotográfica) Que tal uma foto de família para recordação?!

Texto dramático: a criança e o fantasma

Texto dramático: a criança e o fantasma

Para conhecer o gênero do texto dramático e para entender a dinâmica desse tipo de texto, os alunos das turmas do Mais Educação produziram pequenos diálogos seguindo a estrutura narrativa dramática. Segue abaixo a criação dos alunos Héricles e Fernando da turma A (5º ano) do projeto Mais Educação.

A criança e o fantasma

CRIANÇA - Eu queria um amigo para brincar. Eu tenho que ir para a escola, vou pegar o ônibus.
ZECA - E daí quatro olhos, tá a fim de apanhar hoje?
CRIANÇA - Não, eu não estou a fim.
RENATO - Se você não quer apanhar, você vai ter que entrar no casarão abandonado no fim do quarteirão.
CRIANÇA - No casarão abandonado?
ZECA - É, vai ter que entrar e ficar lá dentro por uma hora.
CRIANÇA - E quando vai ser?
RENATO - Amanhã às sete horas da noite.
(No outro dia, à noite)
CRIANÇA - Eu estou com medo.
ZECA - Está na hora.
RENATO - Agora entra logo.
CRIANÇA - Essa casa é muito escura.
FANTASMA - Quem está aí?
CRIANÇA - Quem falou?
FANTASMA - O que você está fazendo aqui?
CRIANÇA - Quem é você?
FANTASMA - Eu sou um fantasma.
CRIANÇA - Qual é o seu nome?
FANTASMA - Eu não tenho nome.
CRIANÇA - Vou te dar um nome. Que tal Nando?
FANTASMA - Eu gostei. Quem são aqueles dois lá fora?
CRIANÇA - São uns garotos que gostam de implicar comigo.
FANTASMA - Vamos dar um susto neles?
CRIANÇA - Vamos!
FANTASMA - Buuuuuuuuuuuuuuuu!
RENATO - Um fantasma, corre!
ZECA  - Corre mais rápido!
CRIANÇA - hahahaha!
FANTASMA - Eles ficaram com muito medo.
CRIANÇA - É, agora eu tenho que entrar para a casa.
FANTASMA - Eu também vou entrar.
CRIANÇA - Até amanhã!
FANTASMA - Até amanhã então!

Héricles  e Fernando - alunos da  turma A do projeto Mais Educação da  escola Aníbal Loureiro.

drama http://minhateca.com.br/maybarcelos/Livros*2c+separados+por+nome+do+autor/M/Maria+Clara+Machado/Maria+Clara+Machado+-+O+Rapto+das+Cebolinhas,30296136.Pdf


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  Tema do Mês





Gênero Dramático- parte I
Gênero Dramático ou Teatral
A palavra drama em senso comum significa um acontecimento ou uma um situação de grande intensidade emocional. Todavia, em sentido literário, drama configura um texto destinado a representação, independentemente de seu caráter de tragédia, de comédia, de farsa, etc. Assim, falar do gênero dramático é falar do gênero teatral.

A definição do pensador grego Aristóteles é a de que nos encontramos perante um gênero que realiza a imitação da realidade por meio de personagens em ação e não pela forma narrativa. O ponto de partida é um texto, mas ao contrário do épico e do lírico, sua relação com o público não se dá através da leitura e sim através da mediação de atores que transformam a composição escrita em ação dialogada.
A arte do escritor dramático (conhecido também como dramaturgo) só adquire vida ao se corporificar numa encenação. Os atores emprestam ao texto – composto basicamente por diálogos - sua presença física, seus gestos, seu olhar e sua voz, comunicando ao público os personagens que estão representando.
O texto do escritor é vital para o teatro pois permite que os maiores momentos da literatura dramática sejam conhecidos e recriados, de geração a geração. Sem a palavra escrita, o teatro é quase impossível. Porém, como já vimos, o texto não basta, e desta maneira o drama é uma criação híbrida, uma síntese de recursos diversos, envolvendo atores, encenadores, cenário, música, e até coreografia. A peça escrita – antes de ser representada – é como uma partitura musical antes de sua execução pelos intérpretes.
HISTÓRICO
Assim como os outros gêneros, o dramático - ou simplesmente o teatro – nasceu dos rituais religiosos antigos, na Grécia. O culto a Dioniso, deus da fertilidade e da alegria, e que através do vinho possibilitava ao homem o êxtase divino, era celebrado com canções, procissões, máscaras, tochas. Ou seja, o culto tinha a dimensão de um grande espetáculo público. Sabe-se que certas exibições corais – unindo cantos e danças – ocorriam nestas festas dionisíacas. É possível também que entre a embriaguez e a orgia, alguém personificasse um herói mítico ou um tipo conhecido, divertindo as pessoas com a arte da imitação.

No século VI a.C., um grego chamado Tépsis, mascarado e fantasiado, desceu os degraus do altar que montara em sua carroça e gritou: “Eu sou Dioniso”. O povo ateniense escutou-o e tornou-se seu admirador, consciente de que se tratava de uma representação e que o homem que ali gritava não era verdadeiramente o deus dos prazeres, mas alguém que falava palavras imaginárias em nome de uma figura divina.

O êxito de Tépsis decorre da verossimilhança daquilo que dizia? Ou da maneira arrebatada e emocionante com que se expressava? Nada sabemos. Aliás, sua história pode ser apenas uma lenda que atravessa milênios, mas serve para ilustrar os primórdios de uma arte que, até hoje, nos seus instantes mais felizes, envolve os espectadores no mesmo arrebatamento dos velhos rituais.
Entre a encenação solitária de Tépsis e o apogeu da literatura dramática grega, no século V a. C., há um abismo de sombras. Várias referências históricas registram, um teatro popular e de cunho realista – conhecido como mimo. É possível que com ele tivesse se iniciado a transformação de atores em personagens e se usasse o diálogo como núcleo da ação. Composto por quadros breves, cenas fragmentárias, e cheio de protagonistas comuns, que deviam se valer da linguagem coloquial da época, o mimo desapareceu quase inteiramente, sem deixar um conjunto de textos que permitisse melhor avaliação de seu significado na história do teatro.
O nascimento da tragédia grega
O apogeu do gênero – e quem sabe de toda a arte grega – deu-se com a emergência da tragédia. Os seus grandes criadores surgiram no século V a.C.: Ésquilo (524-456 a.C.); Sófocles (496-406 a.C.); e Eurípedes (480-406 a.C.).

Deles, preservam-se trinta e três tragédias, sete do primeiro, sete do segundo e dezenove do terceiro. Todos vivem na época clássica, a mais esplendorosa de Atenas, entre a vitória sobre os persas nas Guerras Médicas (490 a.C.) até a derrota para Esparta, (404 a. C.).

A notável democracia ateniense encontrou sua melhor expressão no teatro e este constituiu-se como a forma artística preferida dos cidadãos gregos. As encenações ocorriam durante os festejos a Dioniso e eram gratuitas. Pagos pelo Estado, os autores competiam em concursos decididos pelo voto popular ou de jurados. No palco, três atores masculinos representavam todos os papéis, usando máscaras. A eles, se somava o corifeu, chefe do coro. O coro, onipresente na tragédia, pontuava e comentava os episódios.
Para este modelo de espetáculo se construíram teatros ao ar livre. Os que chegaram até o nosso tempo, mostram uma divisão clara entre as arquibancadas de pedra, um espaço circular reservado ao coro e o palco propriamente dito. Claro que todo o interesse do Estado em construir locais específicos para a representação e promover o gênero dramático tinha uma causa política: mostrar ao povo os valores supremos de uma elite aristocrática e educá-los dentro desses valores. Por isso, os personagens eram semideuses, heróis grandiosos, figuras míticas, cujas decisões morais deviam ser tomadas como exemplos pelos cidadãos.
Os assuntos trágicos
O tema predominante da tragédia é o enfrentamento do homem contra os deuses e o destino. Muitas vezes, inconscientemente, o personagem trágico comete um crime ou um erro e precisa pagar por isso. Seu comportamento face a essas imposições terríveis deve ser o de um homem superior, cheio de grandeza ética e capaz de enfrentar os tormentos a que foi condenado.
Segundo Aristóteles, o objetivo da tragédia é suscitar uma catarse, isto é, uma purificação das paixões, alcançada através da piedade e do horror que produzem os sofrimentos expostos em cena. Para isso o espectador necessita sentir simpatia pelo herói, que, além da nobreza deve reconhecer o seu erro. Assim, o terror e a compaixão, causados pelo protagonista, servem de libertação dessas mesmas emoções.
Entre os textos definitivos da tragédia grega, figuram:
- Prometeu acorrentado e a trilogia Orestíada, de Ésquilo;
- Édipo rei, Electrae Antígona, de Sófocles;
- Medeia, As troianas e As suplicantes, de Eurípedes.